História

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Missionários pioneiros nos anos 1950 em Bonfim, Roraima.

Por volta de 1930, missionários norte americanos chegaram ao Brasil, na região do baixo Amazonas, estabelecendo sua sede em Belém – PA. Na ocasião o trabalho foi registrado como Pessoa Jurídica com o nome de CRUZADA DE EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL. Posteriormente esse nome foi mudado para MISSÃO CRISTÃ EVANGÉLICA DO BRASIL – MICEB.

Em 1941 os missionários Neil Hawkins e sua esposa Mary Hawkins mudaram-se de Belém para o então Território do Rio Branco, onde iniciaram um trabalho evangelístico entre os indígenas macuxi, na região do rio Cotingo, na aldeia de Contão. Ali eles moraram e trabalharam até outubro de 1946, quando mudaram-se para a região do rio Surumu, onde abriram um internato com a ajuda de uma professora brasileira, Sra. Edith Barros, mais tarde substituída pela Sra. Levina Lima. Esse trabalho foi transferido para a “Baptist Mid Missions” em 1948, quando os missionários foram à Guiana Inglesa e fizeram contato com os indígenas waiwai.

Em 1956 os missionários Nilo Hawkins e sua esposa, preocupados com a evangelização de outros grupos indígenas no Território, viajaram para a cidade de Bonfim, onde iniciaram um Centro de Treinamento e Orientação para missionários, na região do rio Tacutu. Devido à distância entre Belém e Bonfim, eles resolveram formar uma Missão independente da MICEB. A nova Missão foi registrada como pessoa jurídica em 1959, na cidade de Boa Vista, com o nome CRUZADA DE EVANGELIZAÇÃO – SEÇÃO RIOBRANQUENSE.

De agosto de 1956 até julho de 1961, Bonfim continuou como base da nova Missão, tendo o missionário Nilo Hawkins como presidente. O trabalho em Bonfim, que começara com uma casa velha, foi se desenvolvendo a ponto de ter onze casas, uma escola e um hangar para o avião de Asas de Socorro. Mais de vinte missionários estrangeiros passaram por lá, estudaram português e receberam orientação final antes de ingressar no trabalho com os indígenas. A fim de facilitar o acesso à educação, a Missão permitiu que várias famílias construíssem suas casas dentro de sua propriedade para que suas crianças pudessem freqüentar a escola. Várias pessoas converteram-se ao evangelho e foram batizadas. A escola primária, iniciada pela professora Lydia Dias da Rocha, no início do quarto ano já contava com 45 alunos matriculados.

Em 1960, a sede da Missão foi mudada de Bonfim para Boa Vista, capital do Território, onde Asas de Socorro já mantinha uma base de operações.

Em 1970, com a reforma do estatuto, o nome da Missão foi mudado de Cruzada de Evangelização para Missão Evangélica da Amazônia – MEVA, e assim perdura até os dias de hoje.

Roberto Cable pregando aos Yanomamis, anos 1970.
Roberto Cable pregando aos Yanomami, anos 1970.

A abertura dos postos, com exceção de Uaicá e Mucajaí, aconteceu com a ajuda da Força Aérea Brasileira.

Posto Uaicá –  Em setembro de 1957, os missionários Eldon e Silvia Larsen, da Missão Asas de Socorro, chegaram em Bonfim para iniciar um programa de apoio no Território. Logo em seguida, com a ajuda de Asas de Socorro, foi iniciado um programa para alcançar os ianomâmi. Roberto Hawkins e Rod Lewis, ajudados por Eucá e Mawasha, crentes waiwai, fizeram uma viagem que durou 4 meses para a região de Uaicá. Desde o primeiro contato em novembro de 1957 até março de 1958, os missionários estiveram ocupados com a construção de uma pista e levantamento de material lingüístico. O primeiro pouso aconteceu em fevereiro de 1958, com uma aeronave “teco-teco” de Asas de Socorro. O posto Uaicá foi aberto oficialmente em novembro de 1958. Os missionários residiram lá até 1966. Nesse mesmo ano, diante da mudança dos indígenas por causa de constantes brigas, os missionários mudaram-se para o posto Surucucu, deixando Uaicás como um sub-posto.

Posto Mucajaí  –  Um ano depois do contato em uaicás (1958), Neil Hawkins e John Peters acompanhados de dois waiwai, subiram o rio Mucajaí até chegarem na primeira aldeia dos xirixana, da família ianomâmi. Desde o primeiro contato até março de 1966, os missionários moraram no posto em contato direto com esta tribo. Um plano para que os missionários mudassem para a cidade e fizessem visitas ao posto foi colocado em prática, o que resultou num grande golpe para o trabalho. Depois de um certo período os missionários voltaram a residir no posto.

Posto Surucucu – Em 1961, a FAB estava abrindo pistas na fronteira do então Território de Roraima, com o objetivo de dar maior segurança ao Brasil. Na época os missionários foram convidados a participar dessas expedições, servindo como intérpretes e ajudando no contato com os indígenas. Várias pistas foram abertas e a Missão foi então convidada a colocar missionários em Parima B e Surucucu. Ao descobrir que Parima B estava dentro do território venezuelano, a FAB e a Missão retiraram-se, em 1963. Surucucu continuou em operação até 1976.

Posto Palimi-U  –  Em 1976 o posto Surucucu foi fechado, devido à falta de pessoal e às constantes brigas entre os indígenas daquela região. Assim, atendendo ao pedido dos indígenas que eram antigos moradores do posto Uaicás, os missionários mudaram-se mais uma vez para as margens do rio Uraricoera, onde deram início a um novo posto. Dessa forma, nasceu o posto Palimi-U.

Posto Auaris  –  Por vários anos os indígenas iecuana pediram para os missionários vir à sua aldeia, nas cabeceiras do rio Auaris. Porém o acesso era inviável por falta de uma pista de pouso. Assim, após um período de convivência e de trabalho com a FAB na abertura de novas pistas, e com a experiência adquirida, um grupo  iecuana resolveu voltar para Auaris e construir a sua própria pista. A pista ficou pronta em 1963, quando o comandante da 1ª. Zona Aérea pousou nela declarando-a praticável. Então, em 1965 foi aberto oficialmente o posto Auaris. Mais tarde, um grupo yanomami (dialeto sanumá) mudou-se para aquela mesma região, passando a residir próximo aos iecuana. Dessa forma, ambos os grupos passaram a receber assistência por parte dos missionários.

Área Macuxi  –  Em 1967, o ministério na área macuxi foi reiniciado com a chegada do Dr. Charles Patton, membro da Sociedade Asas de Socorro que juntou-se à Missão. Formou-se assim, uma equipe volante que passou a dar assistência médica e espiritual aos indígenas e fazendeiros na região de lavrado. Na época foram organizados oito postos de atendimento de saúde em locais fixos.

Área Waiwai –  Em 1971, a Missão recebeu um convite do comando da 1ª. Zona Aérea, para colocar missionários na região dos rios Cafuine e Anauá, onde pistas já haviam sido construídas em 1962. A Missão aceitou o convite e, com o apoio do comando da 1ª. Zona Aérea, um grupo de indígenas waiwai mudou-se para Anauá. Assim, em novembro de 1971, iniciou-se um posto no rio Anauá. A maioria dos waiwai nascida no Brasil, que havia mudado para a Guiana na década de 50, começa a voltar ao país. Mais tarde, incentivados por Eucá, líder geral, os waiwai que ainda estavam na Guiana, mudaram-se para o rio Mapuera, dando início a um novo posto que começou a funcionar em 16 de novembro de 1976, com missionários da MICEB e da MEVA. Entre 1976 e 1978, os waiwai que estavam no rio Anauá decidiram mudar-se para a beira do rio Novo (Kaxmi). Com o passar do tempo, outras famílias foram chegando e fixando residência em Kaxmi e outras comunidades foram formadas: Jatapuzinho, Cobra, Anauá (aldeia nova), Catuau e Samaúma.

Em 1974, convictos de que essa era a vontade de Deus para as suas vidas, Neill e Mary Hawkins deram um novo passo. Foram para Atibaia (SP), onde serviram como professores de missões no Instituto Bíblico Palavra da Vida. Inflamados por um sentimento de amor facilmente percebido na vida dos Hawkins para com os indígenas do norte do Brasil, vários alunos vieram e outros continuam chegando para dar continuidade ao que eles começaram.

A Missão Evangélica da Amazônia – MEVA é hoje uma missão nacional, com liderança nacional, totalmente registrada nos termos das leis brasileiras, contando com uma parcela estrangeira de seus missionários, totalmente enquadrada nos termos da legislação que rege a presença de estrangeiros no país.