Mucajaí – Ministério entre ianomâmis Ninam

Em 1958, os missionários John Peters, Neil Hawkins, o fundador da MEVA, e o piloto Eldon Larson fizeram um sobrevoo exploratório sobre os rios Apiaú e Mucajaí, pedindo ao Senhor que lhes mostrasse onde deveriam abrir um posto. Dentre as poucas pessoas que avistaram ao longo do rio Apiaú, observaram um homem velho que estava com seu arco apontando a flecha na direção do avião. Depois de fazerem o lançamento de alguns presentes, o grupo prosseguiu sobre o rio Mucajaí, onde viram uma casa redonda grande com indígenas ao redor e canoas atracadas no rio. Eles fizeram lançamento de anzóis e roupas, que foram recolhidas com grande entus

 

iasmo. Quando sobrevoaram a casa grande, um homem saiu com um cacho de bananas nos braços, apontando para o céu. Diante disso, pareceu-lhes clara a direção de Deus sobre onde estabelecer um posto da missão.

 

Mais tarde nesse mesmo ano, com a ajuda de dois uaiuais, John e Neil começaram uma viagem de 13 dias de canoa rio acima. Eles conseguiram passar por cachoeiras e corredeiras aparentemente intransponíveis. Quando se aproximavam da aldeia indígena, acamparam em uma ilha, pois não sabiam como seriam recebidos. Depois de observarem um pouco, perceberam que a aldeia estava vazia.  Uns dias depois, o grupo voltou e mostrou-se muito animado com a presença dos missionários. Os ninam ficaram especialmente intrigados com os uaiuais e as miçangas enroladas em seus braços. O contato foi tranquilo e logo iniciaram o trabalho para abrir uma pista de pouso. Quando finalmente chegou o dia do avião pousar, os ninam ficaram espantados quando viram uma pessoa sair de dentro da aeronave.

 

Através dos anos, Deus tem usado vários missionários para alcançar os ninam de Mucajaí com o evangelho. Esse grupo tem sido muito resistente ao evangelho, o que muitas vezes torna difícil o trabalho entre eles. Apesar de tudo, os missionários têm sido fiéis ao chamado de Deus e perseverado. Hoje já se veem frutos das sementes plantadas. 

 

Atualmente, missionários residentes continuam o trabalho em que os pioneiros investiram tantos anos. Há poucas semanas, quando os missionários retornaram para suas casas no posto depois de um período fora, depararam-se com uma triste situação. Haviam defecado na varanda da casa, roubado canos de água, rasgado as telas, arrombado as casas e levado alguns objetos. Embora chateados, Rodrigo, o piloto de Asas que fez aquele voo, disse que não ouviu dos missionários nenhuma palavra contra o povo. Como o missionário Edson Silva disse: “Isso faz parte do ministério. Sem dúvida ficamos chateados, mas não se compara ao que outros missionários sofrem pelo mundo. Deus, e somente Ele, pode mudar essa situação. Ele é fiel. Vamos prosseguir!”

 

Continuem a sustentar esse ministério em oração. Circunstâncias como essa são desanimadoras, mas Deus tem usado outros acontecimentos para encorajar os missionários. Recentemente, Jacqueline dos Santos teve uma conversa muito boa com duas pessoas que queriam entender melhor o que estavam lendo nas Escrituras. Na comunidade de Polapi, a 40 minutos a pé do posto Mucajaí, nota-se claramente uma fome pela Palavra de Deus. Nas duas comunidades têm havido uma boa frequência nos cursos bíblicos do MICALI. No entanto, na comunidade que vive no posto Mucajaí não parece haver muito interesse nas coisas espirituais, embora estejam ouvindo os ensinamentos bíblicos. A tradução do Novo Testamento continua progredindo. Muitos ainda se mantêm resistentes ao evangelho, mas há um grupo de ninam que continua fiel a seu compromisso com Deus. Louvamos ao Senhor pelo gradual interesse e crescimento espiritual. Orem para que mais pessoas respondam positivamente ao evangelho, e por proteção e ânimo para a equipe de missionários de Mucajaí.

 

Para nós, é sempre uma honra receber visitas de missionários veteranos. Carolina Swain e Carol James estão aqui nestes dias. Carol passou duas semanas no posto Mucajaí visitando e encorajando o povo. Carolina pretendia permanecer em Boa Vista para continuar o trabalho na tradução bíblica com um auxiliar linguístico ninam. No entanto, ela ficou doente e teve de cancelar o plano.


Sem as suas orações e ofertas, esse ministério não seria possível. Vocês fazem parte de tudo o que acontece aqui. Queremos manifestar a nossa gratidão!

 

*MICALI - Ministério de Capacitação de Líderes Indígenas

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